Movimentos, Posicionamentos e Velocidades de Pesca de Praia / Costa

 

Introdução

 

São muitos os factores que intervêm nos procedimentos de pesca desportiva, um deles é por certo, o posicionamento e a velocidade de deslocação dos aparelhos de pesca em relação aos habitats dos cardumes, mais precisamente, aos movimentos do pescado.

Os movimentos destes estão intimamente ligados às suas actividades do momento, quer seja a comer, (mariscar, caçar, etc.); quer seja noutras (como fecundação/desova, refúgio face ao perigo, descanso face ao ciclo diário, etc.).

O que para nós pescadores desportistas se torna importante é saber como proceder, face a cada uma das situações, de modo a melhorar os nossos equipamentos e procedimentos, é o que nos propomos despretensiosamente abordar de seguida focando algumas situações (sobretudo as da pesca de fundo, com pouco movimento).

 

As situações de vivência do pescado

 

Ao pretendermos analisar este tema e as situações que poderemos encontrar, algumas perguntas se nos poderão pôr, tais como:

Porque é que os peixes se movimentam? Porque é que umas vezes os encontramos dispersos e outras juntos? Porque será que um determinado isco é tão bom num local (e numa determinada época) e noutros não? Porque será que nas águas claras há mais actividade que nas escuras? E toda uma gama de perguntas se poderia continuar a fazer que teriam sempre alguma resposta, sobretudo a mais científica para cada caso e a mais adequada para nos ajudar a ser melhores pescadores. Vamos procurar responder a algumas.

 

- Porque é que os peixes se movimentam?

Se lermos na bibliografia da especialidade ou se vermos um documentário filmado do habitat submarino em acção vamos observar e constatar que:

1.      Em relação ao meio, se existem correntes ou não, se há claridade nas águas ou não, se existem abrigos ou não, etc.;

2.      Em relação à sua morfologia/espécie, se são sedentários ou emigratórios, se são pelágicos, como respiram, como se reproduzem, etc.;

3.      Em relação ao alimento, cuja actividade vai depender da idade de cada indivíduo ou do cardume onde se enquadra, assim como dos movimentos das presas, se têm que ter movimentos de mariscagem, de caça, ou apenas de babujo, etc.;

4.      Em relação à temperatura das águas, em que bastam umas diferenças de centésimas de grau na massa de água para que determinada actividade de um cardume deixe de existir, ou passe a ser efectuada;

 

- Porque é que umas vezes os encontramos dispersos e outras juntos?

Para esta pergunta que tem a ver com as respostas que os pescados nos dão face aos aparelhos de pesca, assim como as imagens que os aparelhos auxiliares, (como sondas e sonares), nos fornecem sobre as evoluções dos cardumes.

1.      A maioria dos peixes fazem as suas reproduções por desova, numa reprodução em “massa”, com alguns milhares de indivíduos (alevins) concentrados numa área marítima ou de estuário que, pelas vicissitudes naturais da evolução na Natureza, vão sendo devastados pelos predadores naturais, e reduzidos a cardumes cada vez menores em número, mas maiores em dimensões por indivíduo e por idades;

2.      Assim, cada cardume apresenta inicialmente uma homogeneidade nos tamanhos, e nos comportamentos e movimentos, que depois se vai alterando na idade. Com o evoluir da idade adulta, cada peixe, tem tendência para se isolar, deixando de viver em cardume, tornando-se territorial, vivendo em esconderijos (“entocado”);

3.      É nas fases sazonais de reprodução, que se volta a dar uma reestruturação dos cardumes, com a junção de várias hierarquias por idades, em que, (em muitas espécies), são os mais velhos que tomam o “topo de pirâmide”, na forma de fêmeas, desovando para que os machos das camadas inferiores fecundem os ovos quando estes caiem para o fundo. Nesta fase, pode dar lugar ao hermafroditismo, quando por acidente, são suprimidos os peixes das camadas superiores, os das camadas imediatamente inferiores mudam de sexo, para continuar a função reprodutiva, em que todo este processo apresenta uma movimentação característica e consertada dos cardumes (em certas noites de luar);

4.      Outro factor de junção em cardume, e de movimentos característicos muito específicos, tem que ver com um comportamento natural das várias espécies, quando se sentem ameaçadas por qualquer predador, ou predadores, evoluindo em grande número e bem apertado em torno de si próprios, (“cardume alvorado” no dizer de muitos pescadores), abrindo subitamente face à investida dos predadores;

 

- Porque será que um determinado isco é tão bom num local e noutros não?

Cada espécie de pescado tem as suas próprias preferências de comida, logo, o interesse da espécie por um determinado isco, está associado aos seus modos de alimentação.

1.      Os peixes procuram sempre comer o que existe na zona onde habitam;

2.      Os peixes dos cardumes mais novos procuram:

1º – enquanto alevins, comer plâncton, ou outras larvas e ovos de outras espécies, (fisgando a comida);

2º – enquanto juvenis, procuram mariscar, normalmente marisco de pequeno porte ou de crosta mole, (sobretudo junto ao fundo – fisgando a comida);

3º – já enquanto médios, procuram mariscar um marisco de maiores dimensões, quer seja junto ao fundo, quer no seio das águas, (mas por vezes deixam de fisgar para babujar/saborear a comida);

3.      Para os peixes dos cardumes mais velhos, a procura já vai no sentido:

1º – podem mariscar ou não, (se o fazem, não fisgam, mas babujam, mastigando/sugando e partindo as crostas normalmente duras);

2º – caçam as espécies mais pequenas (fisgando), sobretudo os alevins, os juvenis, as sardinhas, as cavalas, etc. que se encontrem em movimento;

3º – alguns destes peixes, (em cardumes muito menores), já vivem “entocados”, marcando território. Com o aumento do peso e das dimensões, vão aumentando também as dimensões das suas presas, tornando-se solitários e caçadores natos.

4.      Há espécies que só comem de dia, e outras, que só comem de noite, e outras ainda, que comem sempre.

- Porque será que nas águas claras há mais actividade que nas escuras?

É da interacção dinâmica da radiação solar com o meio aquático, e suas consequências, que resultam os fenómenos do estado da água e daí muitos dos comportamentos dos peixes.

1.      A penetração da radiação da luz solar no meio aquático é inversamente proporcional à profundidade, (quanto mais fundo, menos penetra). Sendo as águas superficiais as mais iluminadas e as abissais e profundas as menos iluminadas;

2.      A presença da luz solar estimula o desenvolvimento bioquímico dos microorganismos em presença no seio líquido, (que na presença de nutrientes em suspensão e de sais minerais em dissolução), se multiplicam servindo de base à cadeia trófica.

3.      Uma grande presença de microorganismos (sobretudo os agressivos) no meio líquido pode escurecer as águas e afastar os cardumes da zona onde se encontram, sobretudo se esses organismos reduzem a oxigenação das águas reduzindo as condições de habitabilidade (são os fenómenos de “ardência” apontados pelos pescadores), aqui, as águas para além de escuras, podem ser também trabalhadas mecanicamente pelos agentes climatéricos. Por outro lado, se esses organismos são fonte de alimento a uma dada espécie, esta, não só se concentra no local, como progride e evolui no seu desenvolvimento, normalmente nestes casos, as águas são mais claras e calmas. Nos estuários há também outros fenómenos a considerar.

4.      Quando as águas são claras, mas trabalhadas mecanicamente, junto aos fundos, (caso dos rebentamentos das ondas junto à costa, na forma de espuma), existem condições excelentes não só de oxigenação por entrada/mistura do ar atmosférico no líquido, mas também de alimentação para os cardumes, por desalojamento natural do marisco nos fundos arenosos e paredes rochosas, permitindo uma actividade de mariscagem e de caça fora do comum.

 

As situações comportamentais do pescado

Do que atrás ficou dito já nos dá alguma margem de informação para compreendermos algumas das actividades comportamentais de algumas espécies, (sabendo no entanto que ainda hoje se investiga muito sobre este assunto, para tentar compreender melhor o funcionamento deste encantador mundo).

Sabe-se actualmente que cada espécie (e suas famílias) desenvolve os seus próprios comportamentos de acordo com as condições onde vivem. Uma mesma família apresenta comportamentos díspares em locais e latitudes diferentes.

É do bom conhecimento deste assunto que um pescador desportivo poderá retirar melhores resultados, melhorar o seu prazer desportivo e respeitar mais a Natureza preservando as espécies, para que as outras gerações possam desfrutar igual prazer no futuro.

Como o que nos interessa neste breve resumo são sobretudo as velocidades de deslocação dos aparelhos de pesca face às condições comportamentais do pescado, vamos procurar desenvolver enquadrando-os no processos de pesca desportiva mais conhecidos.

 

a)      Para o processo de pesca de fundo com cana, (praia ou barco ancorado)

Nestes tipos de pesca os movimentos existentes estão confinados apenas ao local de pesca, uma vez que o aparelho fica retido no local onde cai a chumbada.

Aqui os movimentos estão fortemente associados às correntes locais das águas tais como; marés, “despraios” das ondas, fluxos e refluxos nas rochas, etc., e também, à mobilidade dos aparelhos de pesca, através das dimensões dos seus estralhos ou tensões nas madres.

Assim, se a pesca é de praia (diurna ou nocturna), o local de caída da chumbada poderá ser:

·        No rebentamento da espuma junto à praia ou parede rochosa;

·        Para lá dos rebentamentos, em zona do limpo ou na zona das rochas.

Para o primeiro caso, (que é uma zona por excelência para o pescado mariscar e caçar), o movimento principal é obtido pelo comprimento de um único estralho e anzol, em que os pescadores podem usar uma das seguintes montagens:

 

Já no segundo caso, (que só é uma zona excelente para pescar, se as águas estiverem trabalhadas, ou então, se estiverem na proximidade de rochas, submersas ou não, de preferência com algas), será sempre usada a segunda hipótese de montagem. Também aqui os movimentos são obtidos pelos fluxos e refluxos da massa líquida, junto à praia e na proporção directa do grau de liberdade dado pelo comprimento dos estralhos. Quanto maior o comprimento, maior grau, menor sensação de rigidez no anzol, melhor para apanhar o pescado de maiores dimensões, que em vez de fisgar o isco o saboreia babujando e cuspindo-o se sentir o anzol.

A perícia do bom pescador está no sentir o babujar do peixe e fisgá-lo com um puxão certeiro através da ponteira da cana, que deverá ser semi-rija e longa.

No que diz respeito à pesca de cana com barco ancorado, também é o local de caída da chumbada que vai definir os movimentos dos estralhos, face às condições existentes no fundo, mas, neste caso, há também que contar com o bolinar do barco (no local) face às condições de mar/rio/estuário que, dentro do mesmo local, nos vão dando uma sequência de posições, logo, de contactos com os cardumes. Num barco a bolinar dificilmente um lançamento será igual aos anteriores. Há contudo, uma série de pormenores técnicos inerentes ao apoitamento num pesqueiro que o pescador desportivo deve conhecer bem, vamos abordar alguns.

 

Ao longo da costa e nos estuários existem ondulações e correntes superficiais que vão actuar no casco submerso das embarcações, sendo umas ocasionais e sazonais, e outras, com desenvolvimento cíclico. A ondulação de superfície (situação fig-a)) é fruto dos atritos existentes entre as massas líquida do mar/rio e a massa gasosa da atmosfera, estando o seu aparecimento ligado à evolução climatérica do local, (microclimas – com pressões e depressões), podendo ser de acalmia (mar chão) ou de ondulação “picada” e “cavada” (mar fresco), em ambos os casos têm os efeitos sobre as obras vivas dos barcos fazendo-os, ou não, “baloiçar” em constantes movimentos de sobe e desce em profundidade (variação de cotas), ou então, “ziguezaguear” em torno do cabo de poita (situação fig-b)) na variação de posição.

 

Para o caso das correntes, sobretudo as correntes de superfície, que podem resultar da persistência do “sopro” dos ventos, (sejam eles locais - brisas, e também de fora), ou então dos efeitos solares/lunares de maré. Tanto num caso como noutro os seus efeitos vão afectar a localização da embarcação e, logicamente, dos aparelhos de pesca. Assim, em cada momento, a posição de um barco resulta em princípio da combinação de um sistema de três forças exteriores: a da sustentação/impulsão (que é normal ao plano do líquido); a da tracção da âncora/poita e; a dos atritos das correntes sobre o casco, (se a embarcação não tiver obras mortas muito significativas). As situações que iremos encontrar, poderão ser:

 

 

Como poderemos facilmente constatar, tanto a situação 1 como a 3, não são as mais convenientes para uma boa localização sobre um pesqueiro, (sobretudo quando este apresenta condições muito restritas, como no caso de fendas, buracos ou de “stombas”, ou ainda, nas calas).

Na parte externa das embarcações (obras mortas) os efeitos da massa de ar atmosférico também se fazem sentir face aos ventos dominantes num dado local. É o caso apresentado na situação 3 (anterior), sobretudo se as embarcações forem do tipo cabinado apresentado anteparas ao vento que fazem o efeito de vela.

Para compensar este efeito, puxando o barco ao pesqueiro, há quem use um pára-quedas no fluxo da corrente ligado a um cabo que vai permitir o ajuste de distância necessário.

Do que ficou exposto, o posicionamento do aparelho de pesca desportiva, em relação a um pesqueiro restrito é algo de muito complicado, podendo quase sempre condicionar os resultados de pesca. Para colmatar estas anomalias os pescadores usam outras técnicas como seja; a de engodar o local onde vão pescar ou, deixar uma marca com poita no fundo ligada a uma bóia, fixando assim a amarra do barco de umas vezes para as outras, (actividade que é proibida por lei).

No pesqueiro, um aparelho de pesca quando é lançado não fica na vertical (prumada de bordo) da embarcação pois, existem vários factores intervenientes no processo, tais como poderemos observar nos esquemáticos seguintes:

a)  Locais restritos onde se podem concentrar os cardumes

 

b)  Como pode ficar uma prumada de um aparelho face aos cardumes

 

Da leitura dos esquemáticos anteriores podemos esclarecer vários cenários encontrados por um pescador desportivo no mar ou rio/estuário.

No que diz respeito à detecção dos cardumes de fundo, pelos equipamentos auxiliares, explicaremos mais à frente, devemos no entanto salientar já que (muitos dos equipamentos) não detectam os cardumes de fundo, mas sim os que vagueiam no meio da massa líquida, quando a sua concentração/densidade já tem algum significado.

Para o modo como se faz o posicionamento da embarcação em relação ao pesqueiro, sobretudo à prumada do local de pesca, é uma tarefa fortemente condicionada, e nem sempre com êxito, (é assunto complexo que merece um desenvolvimento mais detalhado noutra oportunidade, por sair do âmbito mais específico deste trabalho). Contudo, e no âmbito dos movimentos do pescado em relação aos aparelhos de pesca vamos dar mais alguns detalhes.

Por exemplo, (servindo-nos do exemplo do pesqueiro de pedra isolada no limpo), a situação A, em que temos águas claras e pouca ondulação, o peixe concentrado circunda todo o recife, movimenta-se de modo aleatório, mariscando sobre o rochedo e as vizinhanças, fisgando os mariscos e as classes etárias mais baixas. Deste modo, quando o aparelho é bem lançado (como se mostra na figura), em breves momentos teremos os “toques necessários para se fazer uma pescaria das que nos dão prazer. Mas se, como nos casos B e C, o aparelho fica afastado do cardume, quando lançamos o aparelho, não obtemos resposta por parte do pescado. O que fazer então? As soluções têm que ser adequadas às situações que se nos apresentam, assim:

1.      No caso de B, em que temos uma corrente e ondulação muito fortes, a primeira tentativa de remédio é observar como reage a cana, (sobretudo a ponteira), que nos é indicadora da tensão existente na linha, se colocarmos uma chumbada mais pesada no aparelho, talvez se obtenha uma prumada mais correcta e os primeiros toques aparecem. Caso contrário, vamos para a segunda tentativa, tirar/dar mais cabo de espia da âncora de modo a mexermos no eixo do barco em relação ao pesqueiro, se der resultado, temos a solução.

A opção de engodar no local(1) pode não ser muito eficaz devido ao efeito da corrente que vai afastar o engodo e o cardume para longe da prumada da embarcação.

Normalmente este fenómeno acontece por que os dois vectores de força da corrente

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(1) Em minha opinião o engodo estraga a qualidade do pescado, uma vez que este actua por cheiro, função obtida por emissão de moléculas obtidas por decomposição dos alimentos que vão ser depois consumidos pelos peixes deteorando-os rapidamente.

(o efeito do vento e o de maré) se somam em conjunto e vão actuar fortemente sobre

o arrasto da massa líquida, neste caso, o pescado ausenta-se na sua maioria, e o que fica abriga-se na zona de cavitação/turbulência da corrente, deixando de fisgar e mariscar, pois apenas babuja o alimento que a corrente lhe trás ao alcance. Aqui, alguma presa pode ser obtida se conseguirmos cair nessa zona, para isso temos de reduzir o diâmetro do fio de pesca, aumentando o peso da chumbada e reposicionando o barco até obtermos resultados.

2.      Para o caso C, em que o vento sopra em sentido contrário ao efeito de maré, a situação não é tão difícil como a anterior, pois o aparelho, no seu conjunto, pouco se afasta do cardume. Se ao ser lançado não há a devida resposta, basta andar com o eixo do barco para um dos lados até se obterem resultados.

3.      Quando as situações se agravam, a melhor prática é mudar de pesqueiro procurando outro melhor.

Para nos deslocarmos para um pesqueiro e sermos certeiros na sua localização não é tarefa fácil. Para esse fim, poderemos usar geograficamente “marcas de fora” (quando disponíveis, por relevância ou visibilidade), ou então, auxiliarmo-nos de equipamentos de apoio que, (apesar do mercado já nos fornecer equipamentos de orientação/navegação e sondagem muito sofisticados), continua ainda a ser uma tarefa muito complicada de realizar. Para este contexto, o mais importante ainda é saber ler a informação fornecida por cada equipamento de modo a que essa tarefa nos possa ser facilitada, para isso vamos procurar abordar sumariamente esse assunto, no âmbito do nosso trabalho.

O trabalho de localizar um pesqueiro com equipamento auxiliar baseia-se na conjugação das informações de dois equipamentos electrónicos (de base), o G.P.S. e a sonda.

O primeiro, (baseando-se nos cálculos triangulados dos tempos de resposta entre o aparelho emissor/receptor - G.P.S. e os aparelhos reflectores (no mínimo três) que são os Satélites Geostacionários), vai, em cada instante cíclico, fornecendo a nossa posição relativa segundo uma grelha geográfica de referência (existindo uma para cada zona específica do globo), na forma de coordenadas. Nos equipamentos mais modernos, essa informação já é complementada por outras informações onde podemos saber: a nossa rota, a nossa direcção (segundo os pontos cardiais), a velocidade a que nos deslocamos, o tempo que nos falta para chegarmos ao nosso destino, e sobretudo, o grau de aproximação ao local de chegada (pesqueiro).

O segundo, (que se baseia num varrimento, também cíclico e direccionado, das vibrações de micro impulsos dados pelo transdutor sobre o meio líquido e na respectiva leitura dos retornos, sobre a forma de ecos, dos obstáculos encontrados nesse meio), fornecendo-nos nos seus ecrãs as informações inerentes a: o tipo de fundo e respectiva cota, a densidade da massa desses obstáculos, o movimento que podem ter, a configuração/contornos que apresentam, as distâncias a que se encontram, etc. Nos equipamentos mais sofisticados, também nos fornecem as rotas, a posição em mapas, as velocidades de deslocação, as distâncias entre alvos, a temperatura das águas, o relevo ampliado do fundo, etc. Para nós pescadores desportistas é importante saber interpretar convenientemente as informações recebidas sobre o pescado, vamos apresentar algumas situações que na nossa experiência nos parecem mais pertinentes.

No mercado apresentam-se dois tipos de equipamentos em cujos ecrãs os dados, podem ser de baixa resolução (codificados - digitalizados) e, os de alta resolução (diferenciais - analógicos) que fazem bastante diferença na aproximação à realidade a transmitir, assim podemos ter:

 

Em ambos os casos, as imagens são de ecrãs a preto e branco, em que no digitalizado há apenas três tons, já no analógico, há uma multiplicidade de tons matizados, (que nos revelam as intensidades dos ecos face às densidades das massas dos alvos encontrados). Neste caso, a imagem de uma stomba com um cardume abrigado, os tons mais carregados a preto - revelam a densidade do talude rochoso, já as lamas ou areias aparecem em tons um pouco mais claros, as vegetações e algas, ainda em tons muito mais claros e, finalmente o cardume aparece num tom quase amarelado ou até brilhante, (complementado pelo piscar de uma caixa a preto indicadora da presença de peixe, e por vezes de um sinal sonoro). A linha de água, nos dois casos aparece bem demarcada. Como podemos observar, a informação mais real, (e que podemos confiar mais), é a que nos é fornecida pela sonda analógica por ser mais precisa.

Nos equipamentos a cores, esta diferenciação ainda se torna mais acentuada, permitindo uma melhor informação sobre os fenómenos existentes, em que os dados de maior densidade/dureza aparecem a vermelho carregado, as matizes das ramagens e lamas em tons de verde, e os cardumes em tons de dourado e/ou amarelo e até brilhantes.

Muitos equipamentos confirmam a existência de rochas num local com o aparecimento de um duplo eco no ecrã.

É aqui importante não esquecer que a informação do pescado entocado em buracos ou fendas muitas das vezes não é revelada nos ecrãs de sondas, passando por isso despercebido.

Na informação que necessitamos não nos basta as dos G.P.S. e das sondas para conhecermos em pormenor as zonas onde estamos a pescar, temos também de ter acesso às cartas de pesca. Estes instrumentos são fortemente complementados pelo apoio que aqueles planos de zona nos dão. Vejam-se os seguintes esquemáticos:

 

No caso A, em que temos uma pedra isolada no limpo, a imagem de uma sonda digitalizada apenas nos informa da existência da rocha e do seu formato, já a imagem da carta de pesca para aquele local, nos diz da dimensão à escala dessa rocha e dos tipos de fundos envolventes. Informações estas que são importantes para sabermos do tipo de pescado que vamos encontrar, do tipo de isco que será necessário, e sobretudo, de qual a nossa posição relativa no local quando estivermos ancorados, sabendo deste modo quais os procedimentos mais adequados para nos encontrarmos com os cardumes. Ainda no caso de A, a carta, para além da dimensão do rochedo e do tipo de fundos, ainda nos diz das coordenadas de G.P.S. (que o local tem), quais as cotas desses fundos, e também, que estamos dentro do limite de pesca das 6 milhas.

Para o caso B, em que temos um buraco/fenda no seio de uma rocha, a imagem da sonda a cores apenas nos dá a largura dessa fenda, confirmada pelo duplo eco, de que estamos numa zona de rocha forte (ecos a vermelho) e a uma profundidade compreendida entre os 45 e os 40 metros. É a leitura complementar da carta que nos vai informar (através das coordenadas do G.P.S.) onde fica a fenda, quais os tipos de fundos que temos, a dimensão da rocha em relação ao conjunto da zona, as profundidades e ainda, que estamos na batimétrica dos 52 metros. Informações estas que, devidamente armazenadas nos nossos arquivos dos equipamentos nos vão servir para voltar ao local com alguma segurança e voltarmos a pescar no mesmo pesqueiro.

 

b)      Para o processo de pesca de deriva com cana, (barco em movimento - muito lento)

Neste tipo de pesca os movimentos existentes no aparelho de pesca continuam a estar confinados apenas ao local de pesca, uma vez que o aparelho fica retido no local onde vai caindo a chumbada, mas neste caso, com os movimentos de deslocação muito maiores que no processo anterior, uma vez que, a base de sustentação do aparelho (o barco) vai evoluindo no seu posicionamento na zona.

É um processo que (na pesca de fundo com cana) só pode ser feito, em zonas limpas, nas condições climatéricas de acalmia (do núcleo das altas pressões) dos anti-ciclones, com águas claras, sem ondulação e sem grandes correntes, atendendo ao facto do arrasto das chumbadas pelo fundo ser um acto contínuo, com fortes tendências para se encalhar e prender no fundo. Há quem use tabelar a cota de fundo da chumbada (fazendo uma rasa) colocando uma presilha de bóia no fio de pesca, de fácil desmonta.

 

Este processo é o processo ideal não só para pescar determinado tipo de pescado (o besugo, a bica, o pargo, etc.) que fisgam/babujam com movimentos um pouco maiores, mas também para procurar/descobrir novos pesqueiros. Uma vez que o varrimento da zona é muito maior.

Também aqui, muitos dos factores que intervêm no processo anterior são igualmente válidos.

c)      Para o processo de pesca de corrico com cana, (praia ou barco em movimento - lento)

Nesta pesca existem dois cenários distintos que são possíveis, a praia e o barco.

No caso da praia/paredes rochosas:

Para este tipo de pesca os movimentos existentes no aparelho de pesca continuam a estar confinados apenas ao local de pesca, uma vez que o aparelho fica retido no local onde o pescador vai desenvolver a sua acção.

As dimensões do corrico são muito curtas, pois são proporcionais aos lançamentos efectuados.

E são de uma prática muito extenuante para o pescador uma vez que tem de estar continuamente a lançar e a recolher o aparelho. Este tem de ser montado com os seus componentes de tal modo que evitem o enredo ao lançar, (estralhos muito curtos se forem mais que um - na forma de “rabadilha” ou, apenas um que será longo).

O pescado que se obtém neste tipo de pesca é de um tipo muito específico de peixes uma vez que nem todos respondem aos movimentos do isco/amostra com o aparelho, (estão neste caso as cavalas, as lulas e chocos, os robalos e as várias, etc.), por se tratar de pesqueiros de pequena cota são peixes que fisgam junto a esconderijos. Neste processo, o pescador, tem de ter um especial cuidado em não se deixar mostrar para não “afugentar” o pescado.

No caso do barco:

Neste tipo de pesca os movimentos existentes no aparelho de pesca vão estar confinados ao local da prumada de arrasto de pesca (normalmente à poupa), mas numa área de varrimento muito mais vasta, pois o barco vai em movimento lento de 1 a 3 nós (de 2 a 5 km/hora), ao longo de uma determinada zona, (proximidades de fragas rochosas ou, de restingas/recifes submarinos).

Os aparelhos são montados apenas com um estralho com amostra viva ou morta, (normalmente longo - 5 a 10 metros), que é afundado por uma chumbada calibrada (segundo a velocidade de arrasto) ou outro dispositivo que é desmontável para o trabalho de recolha do pescado. Cada barco pode montar desde um até cinco ou seis aparelhos (dependendo dos acessórios de montagem existentes a bordo) e da capacidade da embarcação. Sempre que se dá o engate de um peixe, os restantes aparelhos têm imediatamente de ser levantados para facilitar o trabalho de recolha da presa, o que pode levar horas a conseguir.

Este processo baseia-se na ideia de que determinas espécies de pescado, uma vez entocados/escondidos nos buracos e nas sombras montam caça às outras espécies mais pequenas que circundam as zonas de alimentação costeira, existente no meio das rochas, recifes e seus arbustos marítimos. Como as espécies preferidas daqueles peixes são os cardumes de pelágicos (sardas e cavalas), e também sardinhas, que têm uma velocidade de progressão mais rápida que os normais mariscadores, as amostras usadas têm formatos daqueles peixes. O correr das amostras imita os processos de progressão daquelas espécies levando os seus predadores a formarem “fisgas” de caça.

O pescado conseguido por este processo já apresenta umas boas dimensões e dá boa luta quando preso no aparelho, nas espécies capturadas nós poderemos ter: os robalos, as várias, os lírios, as palmetas, as sardas, as anchovas e até alguns dourados.

Para obter bom sucesso nesta pesca ela deve ser desenvolvida às primeiras horas do dia, ou então, ao crepúsculo do anoitecer. Na luta, a táctica está em cansar o peixe até este desfalecer deixando de lutar, para isso é muito importante o estado de afinação do equipamento, nomeadamente a embraiagem da bobina do carreto (que só deve deixar sair fio mediante os esticões do pescado), promovendo uma recolha suave e sem tensões no fio.

Actualmente, (e nas espécies consideradas em risco de extinção), é usual nas presas de menor dimensão fazer a captura com marcação, reanimação e solta.

 

d)      Para o processo de pesca de corrico com cana, (barco em movimento - rápido)

Tal como no caso anterior, também neste tipo de pesca os movimentos existentes no aparelho de pesca vão estar confinados ao local da prumada de arrasto de pesca (normalmente à poupa), mas agora com uma velocidade muito superior de 4 a 7 nós (6,5 a 13 km/h), em que procuramos pescar animais de médio peso com equipamento também intermédio (canas de 20 a 50 libras). Ou então, na pesca grossa (do “Big Game”) com canas e carretos de 50 a 80 libras e velocidades que podem ir desde os 7 aos 12 nós (13 a 20 km/h), para animais de pesos superiores, que podem definir recordes de pesca.

 

Não sou especialista neste tipo de pesca, pelo que não me vou alongar muito mais.

 

Para complemento deste trabalho, (e com base em alguns relatos de praticantes da modalidade), vou propor como ponto de partida para um aperfeiçoamento posterior, o seguinte diagrama geral de velocidades de pesca:

 

 

Que espero possa ser mais aperfeiçoado de futuro, por quem tenha melhores conhecimentos, de modo a poder servir de informação e consulta para futuros praticantes das modalidades.

 

De um modo geral o esquema de montagem mais vulgar neste tipo de pesca é o seguinte: